Gastrostomia: indicação, sonda PEG e cuidados

A gastrostomia pode oferecer uma via de nutrição, hidratação e administração de medicamentos quando a alimentação pela boca não supre as necessidades ou não é segura. Na Clínica Fares, discutimos a indicação após avaliação médica, nutricional e funcional da deglutição.

A gastrostomia cria uma abertura entre a pele do abdômen e o estômago. Por essa abertura, uma sonda pode receber dieta enteral, água e alguns medicamentos prescritos. A técnica mais conhecida é a gastrostomia endoscópica percutânea, ou PEG, realizada com auxílio de um endoscópio.

A sonda não deve ser apresentada como uma garantia de prevenção de pneumonia, ganho de peso ou recuperação da deglutição. Ela pode contornar a necessidade de engolir a dieta, mas não elimina o risco de aspirar saliva, secreções ou conteúdo refluído. A decisão precisa considerar a doença de base, o prognóstico, os objetivos do paciente e a capacidade de cuidar da sonda em casa.

Na Clínica Fares, o primeiro passo pode ser uma avaliação em Gastroenterologia ou Cirurgia Geral, com participação de Nutrição e encaminhamento para Fonoaudiologia, Enfermagem ou outras áreas quando necessário.

Agendar consulta de Gastroenterologia na Clínica Fares

Marcar consulta de Cirurgia Geral na Clínica Fares

Agendar consulta de Nutrição na Clínica Fares

Importante: a gastrostomia é um procedimento médico. A indicação, a técnica, o tipo de sonda, o local de realização, o plano de dieta e o acompanhamento devem ser definidos pela equipe responsável. Este conteúdo não substitui consulta.

O que é a gastrostomia?

A gastrostomia é um acesso ao estômago feito através da parede abdominal. Ela permite administrar uma fórmula nutricional, líquidos e medicamentos diretamente no estômago quando a pessoa não consegue ingerir o suficiente ou não consegue engolir com segurança.

A PEG costuma ser feita por endoscopia, com uma pequena abertura no abdômen. O endoscopista visualiza o estômago e posiciona a sonda sob orientação endoscópica. Dependendo da anatomia e das condições clínicas, podem existir alternativas radiológicas, laparoscópicas ou cirúrgicas.

A técnica escolhida depende de fatores como anatomia, risco anestésico, cirurgias anteriores, obstruções, coagulação, doença de base e disponibilidade de recursos. Portanto, não é correto prometer que toda pessoa será candidata à PEG.

Quando podemos indicar a gastrostomia?

Podemos considerar a gastrostomia quando existe necessidade de nutrição enteral prolongada e o trato gastrointestinal funciona, mas a ingestão oral não alcança as necessidades do organismo. A indicação é comum em situações como:

•disfagia relacionada a acidente vascular cerebral, doenças neurológicas ou trauma;

•doenças neuromusculares que dificultam a deglutição;

•tumores ou tratamentos da cabeça e do pescoço que comprometem a alimentação;

•desnutrição ou incapacidade de manter ingestão suficiente pela boca;

•necessidade de suporte nutricional prolongado, frequentemente por mais de 30 dias;

•situações selecionadas em que a sonda também pode ajudar na descompressão do estômago.

A sonda pode ser temporária ou permanecer por mais tempo. A necessidade deve ser reavaliada conforme a evolução clínica, o peso, a hidratação, a segurança da deglutição e os objetivos do cuidado.

E em cuidados paliativos?

Em cuidados paliativos, a decisão deve ser individualizada. A equipe precisa discutir conforto, sintomas, prognóstico, preferências do paciente e benefícios esperados. A gastrostomia não deve ser indicada automaticamente apenas porque a pessoa não está comendo.

Em pessoas com demência avançada, a American Geriatrics Society não recomenda o uso rotineiro de sondas de alimentação. A alimentação assistida e as decisões compartilhadas podem oferecer resultados semelhantes para mortalidade, pneumonia por aspiração, função e conforto. Essa situação exige conversa cuidadosa com o paciente, familiares e equipe assistencial.

Como a PEG é realizada?

Antes do procedimento, a equipe revisa doenças, alergias e medicamentos. Anticoagulantes e antiagregantes não devem ser suspensos por conta própria. O ajuste depende do risco de sangramento e do risco de trombose e deve ser decidido com os profissionais responsáveis.

Em geral, a equipe orienta jejum, administra sedação ou anestesia conforme o caso e utiliza endoscopia para localizar o estômago. Depois, a sonda passa por uma pequena abertura na parede abdominal e é fixada para evitar deslocamento. A duração, o tipo de sedação e a necessidade de observação variam entre os pacientes.

A ASGE recomenda medidas técnicas para reduzir o risco de perfuração de órgãos e antibiótico profilático no momento da gastrostomia inicial. A mesma diretriz considera possível iniciar a alimentação pela sonda mais cedo em pacientes selecionados, mas o horário deve seguir o protocolo da equipe e a evolução do procedimento.

O preparo também deve incluir orientação prática. O paciente e o cuidador precisam saber como administrar a dieta, lavar a sonda, oferecer medicamentos autorizados e observar o estoma. A Nutrição e a Enfermagem podem orientar a rotina; a Fonoaudiologia avalia a deglutição e a segurança da alimentação oral quando isso fizer parte do caso.

Gemini_Generated_Image_ek3nbiek3nbiek3n Gastrostomia: indicação, sonda PEG e cuidados

Quais são os benefícios possíveis?

A gastrostomia pode facilitar a oferta de calorias, proteínas, água e medicamentos quando a via oral é insuficiente ou insegura. Ela também pode reduzir a dependência de uma sonda nasal em pessoas que precisam de nutrição enteral prolongada.

Algumas pessoas continuam comendo ou bebendo pela boca. Isso depende da avaliação da deglutição, da doença de base e das orientações da equipe. A sonda pode complementar a alimentação, mas não autoriza automaticamente a ingestão de qualquer consistência.

O plano nutricional deve ser individualizado. A fórmula, o volume, o horário, a velocidade de infusão e a quantidade de água dependem das necessidades clínicas. Não é recomendado colocar alimentos, líquidos ou medicamentos na sonda sem orientação, pois isso pode causar obstrução, interação medicamentosa ou piora dos sintomas.

Riscos e cuidados após o procedimento

Como qualquer procedimento, a gastrostomia pode apresentar complicações. Entre elas estão dor local, sangramento, infecção, vazamento ao redor da sonda, irritação da pele, peritonite, perfuração, deslocamento, obstrução, hipergranulação e síndrome do buried bumper, quando o dispositivo interno fica incorporado à parede gástrica.

Também pode ocorrer aspiração durante ou depois do procedimento. A presença da sonda não impede pneumonia por aspiração, principalmente quando a pessoa continua aspirando saliva ou apresenta refluxo. A posição durante a dieta e outras medidas devem seguir a orientação da equipe.

Procure orientação rapidamente se houver febre, dor abdominal crescente, vermelhidão intensa, secreção com mau cheiro, sangramento novo, vazamento persistente, dor ao infundir dieta ou água, vômitos, falta de ar, obstrução ou deslocamento da sonda. Se a sonda sair, não tente recolocá-la em casa. O trajeto pode fechar rapidamente e precisa de avaliação profissional.

Como cuidar da gastrostomia em casa?

O cuidador recebe treinamento antes da alta. Os cuidados podem incluir higiene do estoma, secagem adequada da pele, lavagem da sonda conforme orientação e verificação da fixação. A rotina varia conforme o tipo de dispositivo e o protocolo da equipe.

A dieta deve ser prescrita por profissional habilitado. A administração pode ocorrer em bolus, por seringa, ou por bomba de infusão. Náuseas, distensão, diarreia, constipação e perda de peso devem ser comunicadas para que o plano seja ajustado.

A sonda pode durar meses ou anos, conforme o modelo e os cuidados. Ela pode precisar de troca por desgaste, obstrução ou falha do dispositivo. O acompanhamento verifica a pele, a posição, a tolerância à dieta e a necessidade de manter o acesso.

Perguntas frequentes

A gastrostomia dói?

Pode haver dor, sensibilidade, distensão ou desconforto após a colocação. A sedação ou anestesia reduz o desconforto durante o procedimento, mas não garante ausência de dor depois. A equipe orienta o controle dos sintomas e investiga dor intensa ou persistente.

A pessoa pode continuar comendo pela boca?

Às vezes, sim. A decisão depende da avaliação fonoaudiológica, da segurança da deglutição e da doença de base. Se a via oral não for segura, a equipe pode restringir consistências ou recomendar que a nutrição seja feita pela sonda.

A gastrostomia elimina o risco de aspiração?

Não. Ela pode evitar que a dieta passe pela boca, mas não impede a aspiração de saliva, secreções ou refluxo. A avaliação fonoaudiológica e o tratamento da causa da disfagia continuam importantes.

É difícil cuidar da sonda em casa?

O cuidador recebe treinamento, mas podem ocorrer obstrução, vazamento, infecção ou deslocamento. A facilidade varia conforme a condição do paciente, o tipo de sonda e o suporte disponível. Em caso de dúvida, não improvise: procure a equipe responsável.

A gastrostomia é definitiva?

Nem sempre. A remoção pode ser considerada quando a pessoa mantém nutrição e hidratação adequadas, apresenta deglutição segura e não precisa mais da sonda. A decisão é médica. O trajeto costuma fechar, mas pode permanecer uma fístula e exigir tratamento, especialmente após uso prolongado.

A gastrostomia é indicada para qualquer pessoa que não come?

Não. É preciso avaliar a causa da baixa ingestão, a deglutição, o prognóstico, os objetivos do cuidado e as alternativas. Em alguns quadros, a alimentação assistida, a terapia da deglutição ou outra forma de suporte pode ser mais adequada.

Agende uma avaliação na Clínica Fares

A Gastroenterologia pode avaliar doenças do aparelho digestivo, investigar a indicação e discutir a PEG. A Cirurgia Geral pode participar da avaliação do procedimento e das alternativas quando a via endoscópica não for adequada. A Nutrição orienta a necessidade energética, a fórmula e a progressão da dieta. Fonoaudiologia, Enfermagem e outras especialidades podem ser envolvidas conforme o caso.

Imagens meramente ilustrativas

Também pode te interessar: