Um novo tipo de diabetes? O que se sabe sobre o tipo 5

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Quando pensamos em diabetes, a maioria de nós logo lembra dos tipos mais comuns: o tipo 1 (autoimune, comum em jovens) e o tipo 2 (ligado ao ganho de peso e estilo de vida). No entanto, a ciência médica deu um passo histórico recentemente. A Federação Internacional de Diabetes (IDF) oficializou uma nova categoria na doença: o diabetes tipo 5.

Mas, ao contrário do que muitos imaginam, essa não é uma “doença moderna” provocada pelos hábitos ocidentais. Trata-se de uma condição intimamente ligada a um problema social profundo: a desnutrição.

A seguir, explicamos o que se sabe sobre essa nova classificação e qual o seu impacto na saúde global.

O que é o diabetes tipo 5?

Anteriormente conhecido pela comunidade médica como “diabetes relacionado à desnutrição”, o tipo 5 foi finalmente reconhecido como uma classe independente. Ele se manifesta principalmente em adolescentes e jovens adultos que enfrentaram privação alimentar severa e prolongada na infância ou até mesmo durante a vida intrauterina.

Diferente do tipo 1, o tipo 5 não é causado por um ataque do próprio sistema imunológico às células do pâncreas. E, ao contrário do tipo 2, ele não tem relação com a obesidade ou com a resistência à insulina provocada por tecidos gordurosos.

A raiz do problema: A desnutrição calórico-proteica crônica nas fases iniciais do desenvolvimento impede que o pâncreas se forme ou prolifere suas células de maneira adequada. O resultado é um órgão menor e com uma capacidade severamente limitada de produzir insulina.

Por que ele é mais comum na Ásia e na África?

Estimativas globais apontam que o diabetes tipo 5 afete entre 20 e 25 milhões de pessoas no mundo. Por ser uma doença diretamente ligada à vulnerabilidade socioeconômica e à insegurança alimentar grave, a esmagadora maioria dos casos está concentrada em países de baixa e média renda, especialmente nas regiões da Ásia e da África Subsaariana.

No Brasil, embora não existam dados massivos de prevalência, especialistas apontam que muitos pacientes do tipo 5 podem estar sendo erroneamente diagnosticados como tipo 1, já que o perfil físico é muito parecido: indivíduos jovens, muito magros (geralmente com IMC abaixo de 19 kg/m²) e que precisam de acompanhamento médico urgente.

Principais características e sintomas

Clinicamente, o diabetes tipo 5 desafia os padrões tradicionais da doença. Suas principais características incluem:

  • Início em jovens magros: Afeta pessoas jovens que não têm excesso de peso.
  • Ausência de autoanticorpos: Diferente do tipo 1, os exames de sangue não mostram uma reação autoimune destruindo o pâncreas.
  • Resistência à cetoacidose: Mesmo com taxas de glicose muito altas no sangue, esses pacientes raramente desenvolvem a cetoacidose diabética (uma complicação aguda e grave comum no tipo 1).

Um novo olhar para o tratamento

O reconhecimento oficial do diabetes tipo 5 pela IDF é um divisor de águas. Por décadas, essa população foi tratada com os mesmos protocolos do tipo 1 ou tipo 2, o que muitas vezes causava erros terapêuticos — como episódios de hipoglicemia grave pela aplicação de doses inadequadas de insulina.

Agora, o foco muda para uma abordagem combinada: além do controle criterioso da glicemia, o tratamento do tipo 5 exige um suporte de reabilitação nutricional, garantindo o aporte correto de calorias, proteínas e micronutrientes para proteger o organismo do paciente.

Trazer à luz o diabetes tipo 5 é lembrar que a saúde e o contexto social caminham lado a lado. Se você quer saber mais sobre saúde metabólica ou precisa realizar exames de rotina, pode acionar a equipe de endocrinologia da Clínica Fares Cachoeirinha, Osasco, Penha ou Santo Amaro. Teremos sempre um endócrino disponível para averiguar como anda sua saúde.. Cuidar de você por completo é o nosso compromisso!

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